14.2.18

Eu não te cheguei.

Não tenho mais nada que te faça ficar se não eu e eu não te cheguei.


Assim que coloquei o meu coração à vista, esmagaste-o. Dizes que te custou mas quem parou de respirar fui eu, o peito que explodiu foi o meu e a possibilidade do adeus ficou nas minhas mãos abertas, a qualquer momento podias assaltar-me.
Deixar-te era lutar contra a maré mas tu ajudaste-me nessa luta. Tu tornaste o ter que olhar para a tua cara difícil, tornaste o som da tua voz ruidoso aos meus ouvidos, tornaste a tua pele um escudo que eu não sei quebrar e tornaste-me exausta. Deixaste as minhas lágrimas secarem na cara à medida que caiam e quando a minha ferida estava aberta, tu expuseste-a mais a ti, criaste uma pessoa para ti completamente nova na minha cabeça, deste-lhe vida e deixaste-a destruir-me.
As tuas promessas foram em vão e ainda assim eu ouvi-as com o coração.

O meu sentimento por ti não mudou, mas tu já não és tu. Não és a voz que eu ouvia antes de dormir, não és o sorriso da minha boca, não és o peito onde eu descanso. Os teus abraços já não são refugio mas sim um campo de batalha ao qual não sei como conseguir voltar. E eu quero voltar porque sei que há um pouco de nós que posso salvar, mas eu não sei a força que me resta para isso. Não sei se tu vais voltar a ser tu e se eu consigo voltar a ser eu. A confiança de que os teus beijos não serão tiros, que o teu toque não será bombas, que o teu olhar não irá espelhar o meu sangue não existe.


E eu sou tudo o que te podia fazer ficar e continua a não chegar.


Lisbon, October 2017

3.12.17

Perpetuação de Pedaços

Somos menos do que juramos que seriamos juntos. E foram tantas juras e promessas...

Fomos o friozinho na barriga, o tremer de nervosismo, fomos sorrisos e risos à toa, bochechas rosadas e corações quentes.
Fomos o enjoo da desilusão, as discussões e preocupações, imaturidade misturada com crescimento e erros atrás de erros.

E tantos beijos de acertos atrás de acertos...
Fomos abraços em bicos de pés, saudades à noite e reencontro de dia. Fomos como a nossa distância, pequena mas por vezes parecia enorme. Demos a mão distraidamente e abraçamos desenfreadamente. Fomos um primeiro beijo rápido e tímido e um último beijo demorado e audacioso.
Fomos eu e tu em demasia e nós em tão pouca quantidade. Fomos uma mistura do nosso passado individualmente e do que queríamos que tivesse sido o futuro juntos.



Mas hoje pertences-me quando quero e quando não quero. Quando preciso que me pertenças e quando preciso que soltes o pedaço do meu coração que tão bem guardas.
Hoje és uma certeza do que me tornei e um ponto de interrogação do que serei.

Tu sabes que nem sempre me lembro de ti mas que nunca te esqueço.
És a minha inspiração quando a mente está vazia por teres sido a minha primeira respiração mais alterada.
És a mensagem que cai de vez em quando no meu telemóvel e que não impede o sorriso mais discreto de se mostrar timidamente.
Ambos sabemos que as saudades que sentimos um pelo outro são efémeras, quase nulas. Que não há necessidade de longas conversas ou irmos beber um café por ai, não teríamos muito a contar... nada seria tão interessante como as crianças que fomos quando nos apaixonamos e não soubemos o que fazer e como agir.
Sentimos para não cairmos no esquecimento. E eu sei que não nos esqueces.



Em tão pouco tempo mudaste quem eu era porque duraste mesmo depois do nosso fim. Aliás tu és a continuação do nosso fim quando me perguntas como estou e dizes que estás feliz. Se me dizes que estás feliz eu fico bem. Quero-te sempre bem meu amor.
Cumprimos uma das promessas: o carinho e a amizade que tenho por ti é o nosso para sempre.


Eu vou perpetuar-nos em palavras.