18.7.12

Perfeito Desconhecido - VII


Às 20:00 lá estava eu no Paraíso para ir ter com o Tiago. Mais uma vez era impossível resistir aos seus encantos. Àqueles olhos azuis vivos, à sua pele morena e musculada. Cada vez que nos tocávamos sentia o calor a surgir-me no corpo todo, o meu sangue fervia sob a pele e o meu coração parava por instantes. Ele tinha vestido uma camisa branca e umas calças de ganga, ainda tinha o cabelo molhado e cheirava a um perfume agradável e nada exagerado. Eu tinha vestido uns calções de ganga e uma camisola branca rendada. Quando nos aproxima-mos um do outro ele ficou a olhar para mim de cima a baixo e a rir-se. O medo evadiu-me e comecei a a olhar para ver se tinha vindo de chinelos de casa ou se alguma coisa estava mal, como me acontecia sempre. Não encontrei qualquer problema comigo.

Raquel: Que foi ? - franzi o sobrolho.
Tiago: Nada, estás bonita. - disse ele a olhar-me nos olhos.
Raquel: Então porque te ris-te ? - perguntei, incrédula.
Tiago: Estranhei não teres caído ou esbarrado contra uma parede ainda. - e esboçou um sorriso rasgado ainda a olhar-me nos olhos.
Raquel: Ah! - olhei-o amuada - idiota - murmurei por entre os dentes.
Tiago: Queres ir onde ? - a rir-se.
Raquel: Não posso chegar a casa muito tarde, tenho de ir fazer companhia ao meu irmão mais novo.
Tiago: Hum, então ficamos por aqui. - sorriu-me e fitou me com o seu olhar acolhedor. - vou buscar alguma coisa para beber, que queres ?
Raquel: Uma Coca-Cola se faz favor.
Tiago: okay, podes prometer-me uma coisa ?
Raquel: diz. - olhei-o curiosa.
Tiago: Tenta ficar viva e manter-te longe dos problemas por uns instantes sim ?
Raquel: Xô ! Vai-te embora. - gritei-lhe amuada. Ele riu-se e foi-se embora. - idiota - murmurei entre os dentes mais uma vez.

Enquanto ele não chegava sentei-me numa cadeira numa mesa vazia e fiquei a olhar o pôr do sol, sim as 20:00 ainda havia sol. Rapidamente o sol se pôs e o Tiago chegou. Vinha com a minha Coca-Cola e o seu Sumol de Laranja na mão. Sentou-se a uns centímetros de mim, o seu rosto estava mais próximo do que o habitual, ao que eu estranhara mas não me movi, ou melhor os meus músculos não queriam mover-se. Ele aproximou-se um pouco mais e agora eu podia sentir o seu hálito fresco na minha cara, conseguia cheirar melhor o seu odor. Ele colocou a sua mão quente, delicadamente na minha cara fria e eu estremeci, uma vez mais sentia o calor e o meu sangue a ferver, mais uma vez o meu coração tinha parado por escassos momentos. Não via, mas sentia o pulsar do seu coração lento e nada nervoso, sem movimentos bruscos os seus lábios tocaram nos meus suavemente, os meus olhos fecharam-se lentamente. Mas o que se passava comigo ? O que se passava com ele ? Os lábios dele separaram-se de modo a sentirem o meu perfume e, finalmente, eu tinha caído em mim e bruscamente me tinha afastado e recomposto.

Tiago: Desculpa. - sussurrou.
Raquel: Tenho de me ir embora. - disse embaraçada.
Tiago: Mas Raquel ... - interrompi-o.
Raquel: o meu irmão está a minha espera, adeus.
Tiago: Espera ... - interrompi-o mais uma vez mas agora conseguia olhar-lhe nos olhos.
Raquel: psiu... Não fales.
Tiago: Mas ...

Olhei-o com uma cara de raiva e espanto misturados e de seguida levantei-me.
Fui a correr para minha casa e obviamente a caminho, caí. Nada que água oxigenada e um pouco de Betadine não resolvesse. Cheguei a casa, peguei no Bart e fui ter com o meu pai.

Raquel: Pai a Inês já chegou ? - perguntei com uma voz ofegante.
Daniel: Estiveste a correr ? - levantou os olhos do jornal e olhou-me por cima dos seus óculos.
Raquel: Sim, mais ou menos, não importa. Já chegou ? - disse confusa.
Daniel: Não, ela e o Rafael foram sair. - sorriu-me.
Raquel: ok, obrigada. - sorri-o esperando que ele não visse a falsidade presente no sorriso.

Naquele momento só conseguia pensar no Josh. Sentia que de um certo modo o tinha traído, apesar de entre nós não existir qualquer relação e eu odiava-o por esse simples motivo. Odiava-o por gostar dele mais do que eu queria gostar, mais do que ele gostava de mim, mais do que, eu, poderia gostar algum dia.
Odiava-o por cada palavra proferida da sua boca. Por cada gesto feito pelo seu corpo. Por cada pensamento vindo da sua mente inconsciente.
O seu olhar translúcido dava conta do meu ser em poucos segundos, os seus lábios queimavam com o calor da sua pele e eu ? eu admirava a sua beleza, um anjo aparecido do céu. E mais uma vez, o odiava. Odiava-o por a minha beleza não chegar a um ponto tão forte, por algo como ele não poder estar com algo como eu.
Fazia-me quere-lo, falava comigo a toda a hora e dava comigo em doida só de respirar o mesmo ar que eu. E então eu dizia-lhe que tinha medo, não medo dele, mas sim do seu desaparecimento. Ele desaparecia e não me falava mais por horas, dias até. E isso irritava-me profundamente. Mas toda a vez que ele voltava, eu aceitava-o de novo. Ele agia de maneira diferente, como se eu fosse um estranho que o atraia como um íman.
O seu corpo queria-me, mas a sua mente rejeitava-me, como uma droga. Exato, era isso que eu representava para ele, uma droga.
E eu, apesar de não o conhecer há tempo suficiente, eu estava incondicionalmente apaixonada por ele e por essa sua beleza.



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