2.3.13

Perfeito Desconhecido - XIV

Acordei cedo com uma mensagem no telemóvel  eram 6:43 da manhã, por favor, quem seria ? não me apetecia nada ver por isso adormeci de novo.
Às 7:30 o meu despertador tocou. O que me custava mais era acordar e não no sentido literal, eu sabia que o verdadeiro pesadelo era de olhos bem abertos.

- Levanta-te. - Disse a minha mãe calmamente.
- Levanta-te. - Veio o meu pai repetir num tom um pouco mais alterado.
- Estúpida, levanta-te ! - Tinha que vir o Rafael estragar a minha serenidade.
- Deixem-me em paz, por favor. - supliquei.

Não valeu de muito, 1 hora depois estava eu pronta para sair de casa e meter-me dentro da escola. Iria ter logo de manhã MACS ( Matemática Aplicada às Ciências Sociais) , não era difícil  pelo contrário, era agradável até ... Sempre advertira o Tiago que Matemática A não era assim tão complexo, mas comparado com isto, aquilo é um verdadeiro terror numérico !
A minha professora era super engraçada mas o seu problema mesmo era não decorar o nome dos alunos. Não era uma pessoa que gostasse de estabelecer relações e talvez eu entenda porquê.
Fui almoçar com o Tiago, estávamos próximos e isso fez-me bem, séria e realmente bem.
Ele fazia-me rir e eu gostava disso, não me curava, mas afastava as dores. O Tiago era um verdadeiro escudo para mim apesar de ambos saber-mos que qualquer dia, o escudo iria quebrar.
Eu estava a gostar cada vez mais de estar com ele e ele comigo - se é que ele já não gostava mais do que eu esperava.

- No final das aulas queres vir lanchar a minha casa ? Tenho a certeza que a minha mãe fez bolo de iogurte e laranja! - Perguntei, um pouco envergonhada, mas com palavras confiantes.
- Claro que quero! Quero dizer, se não for incomodo é claro ... - Exclamou com um sorriso que não esperava, ele brilhava por todos os lados.
- Estás bem ? Estás a sorrir estranhamente e é assustador. - Afirmei eu com uma cara de medo. Ri-me, mais uma vez, eu ri e soube tão bem.
- Cala-te ! Boas aulas parva !
- Até logo Ananás ! - Gritei entusiasmada.
- Ananás ? Porque ananás ? - Perguntou com uma cara séria e olhar de palerma. - depois diz que sou assustador diz.
- Vai-te embora 'páh. - Sorri e caminhei.

A caminho da sala de aula só pedia a Deus para que ele nunca me deixasse.
No fim das aulas, encontramos-nos no portão da escola e fomos juntos para minha casa.

- Oiço os teus dentes a ranger daqui, estás com raiva ou com frio ?
- Cala-te, estou enervada ok ? ok. - murmurei por entre os dentes.
- Bem, só te falta sair espuma pela boca ahahaha, imagina só. - e começou a imitar um monstro à minha frente. Olhei para ele com um ar irónico e ele parou. - Afinal o que aconteceu ?
- Acreditas que o professor de Geografia mandou-me calar sem eu estar a falar e ainda gozou comigo ? Idiota !
- Com certeza que o fez porque gosta de ti.
- Não, ele é parvo e pronto. Mais outro... - mandei a indirecta.
- Ah obrigada, sim senhora. - Disse amuado e com uma cara séria.
- Estava a brincar... - Nem um sinal vindo dele. - Oh Tiago ! Fogo - nem vassilou. - Está bem então. - E acelerei o passo.
- Não ! volta !

Ele pedia sempre para voltar e eu voltava e ele aceitava-me sempre de volta. Seria amor ? Eu também aceitaria o Joshua se ele voltasse...



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