28.4.13

Perfeito Desconhecido - XV

Era sábado e estava uma manhã deslumbrante. A luz do sol que atravessava o vidro da minha janela encadeava-me os olhos. Era uma maneira agradável de acordar. Vesti o casaco e desci para tomar o pequeno almoço.
O Bartolomeu miou mal me viu, normalmente era sinónimo de aborrecimento para com a pessoa.

- Mãe, o Bart está chateado comigo porquê ? - tentei apanhá-lo e ele fugiu-me por diante das pernas. - Bart que nervos ! Anda cá se faz favor ! - Gritei eu irritada.
- Miaaau ! - Fugiu para a sala e escondeu-se de baixo do sofá, com a cauda peluda e alaranjada de fora.
- Bola de pêlo ranhosa ! - sentei-me na cadeira a comer as torradas que a minha mãe me tinha preparado até então. - A tua sorte é que estou de bom humor se não arrancava-te o pêlo com Veet Bandas de Cera. - Resmunguei para comigo mesma.

A minha mãe sentou-se à mesa comigo e, com um ar felicíssimo, e falou

- Bom dia ! Deve estar chateado porque não o deixaste dormir esta noite na cama contigo, já-lhe passa pequenina. - Os seus olhos brilharam como pedacinhos de cristal.
- O que se passa ? - estranhei eu, franzindo o sobrolho. - Esse sorriso é estranho. - apontei para a boca dela com ar enojado. - ahahaha, oh mãe.
- Cala-te. - Deixou escapar um sorriso. - Põe o prato na máquina quando acabares de comer se faz favor, vou à mercearia.
- Credo, voltamos ao mesmo, pede ao Rafael mãe. RAFAAAAAAAAAAA... - a minha mãe colocou me a mão na boca interrompendo-me.
- Cala-te que o teu irmão está a dormir ! - Fez um olhar maquiavélico. - então tu comes e ele é que arruma ? sim senhora.
- Tu fizeste, eu como, ele arruma e eu dou apoio moral. Faço mais que vocês, não é justo. - Fiz um ar amuado.
- Cala-te vá. - Fechou a porta e foi embora.

Passaram umas semanas e eu estive sempre muito próxima do Tiago, estava finalmente tudo a correr bem na minha vida. Os meus problemas, por escassos minutos evaporavam, assim como os meus pesadelos eram mais breves e não tão dolorosos. Acho que me estava a apaixonar por ele, uma simples paixão, mas era uma paixão.
Sabia perfeitamente que a felicidade da minha mãe naquele dia devia-se ao meu pai e eu estava realmente feliz por eles. Quem diria que o Joshua Cline os ia aproximar, ele era um anjo, o meu anjo da guarda que ainda longe eu sentia a sua presença.
"...ás vezes a dor é tanta, que temos que morrer um pouco para continuar. Era o pântano onde eu era obrigada a caminhar."
Era o livro que estávamos a ler em português. Penso que cada pedacinho daquela frase se identificou com cada adolescente que a lia e a cada minuto que avançava-mos no livro eu sentia-me mais apegada a ele, era realmente belo como certas letras juntas, faziam tanta magia.





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