7.7.13

Perfeito Desconhecido - XVI

Na manhã seguinte arranjei-me e fui para a escola. Decidi ir pelo parque, a primavera estava a chegar e com ela vinham as flores e a alegria da natureza, escusado era dizer que eu odiava a primavera, por várias razões.
Eu entendia-a como um meio termo em relação à temperatura, nem estava frio nem calor e eu odiava isso. Outra coisa era evidentemente as flores, além de ser alérgica ao seu pólen o que me fazia espirrar de cinco em cinco segundos, era a natureza em geral que me fazia sentir melancólica, flores relembravam-me funerais. Era isso que aquele parque significava para mim, um cemitério inaugurado pelo enterro do meu amor e do Joshua e as flores só vinham alimentar mais esse pensamento.
Cheguei um pouquinho atrasada à aula de Geografia e estranhei o bom humor do professor Carlos, o senhor odiava falta de pontualidade e o meu histórico nas faltas de atraso era realmente preenchido, poderia dizer que se chegar atrasada fosse crime, o meu cadastro estava bem negro.
No intervalo o Tiago disse para esperar por ele depois das aulas para irmos a um sitio, fiquei um pouco nervosa e estranhei, mas confiava nele o suficiente para tal acontecimento.
Tudo o que acontecera com o Joshua fez-me crescer e aprender sobre o amor. Sim, poderia chamar ao que sentia por ele amor, porque era mesmo isso que me fazia sofrer tanto por ele. Nunca sentira por ninguém o que sinto por ele. Parece que o cupido acertou mesmo em cheio no meu coração, a seta furou-o e quando foi embora, deixou-o em pedacinhos, coitado, nem fita cola o poderia ajudar. Parece que a seta era o Joshua, não havia outro coração para ser acertado, eu tinha de me apaixonar por mim própria, e doía porque nunca me apercebera que o Joshua tinha sido o objecto e não o órgão.

- Lembras-te de há uns meses teres deixado aqui um papel com uma carta para o Joshua ? - Falou tão depressa quanto o seu respirar. - Nem digas que não posso dizer o nome desse palhaço porque tenho o direito todo de o fazer.
- Não lhe chames isso... - Olhei para baixo e falei calmamente, a minha alma queria sair de mim própria, estava a ser demasiado doloroso.
- Mas ele é um idiota ! Chega aqui, pensa que tem todas, faz-te rir, conquista-te, vai-se embora sem uma única explicação e deixa-te neste estado ! - mostrou-me um papel que estava debaixo do banco.
- Chorei e sussurrei palavras. - Pará, deixa-me em paz, vai-te embora Tiago, por favor, como pudeste, tu ! eras especial para mim, por favor, desaparece. - tinha o rosto carregado de memórias cinzentas.
- Sabes o que penso deste assunto, mas não tenho o direito de esconder isto por mais tempo. - Deixou cair o papel que me mostrara e que eu pensara ser o meu e foi-se embora, e eu fiquei ali no chão, durante uns minutos, os meus ossos estalavam a cada pensamento da minha cabeça.

Como sabia o Tiago da minha "carta" para o Josh ? Seria aquilo uma resposta do Josh ? Teria ele voltado para cá ? o Tiago nunca me esconderia uma coisa daquelas depois de saber o quanto eu sofrera pelo Joshua


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