4.9.13

Perfeito Desconhecido - XIX

Estava finalmente a apaixonar-me pelo Tiago, tinha aprendido a amá-lo e isso era algo que me fazia realmente feliz. O Tiago amava-me pelo o que era, com ou sem maquilhagem, com ou sem roupas caras. Amava-me pelos meus defeitos e isso era espantoso. Era espantoso alguém gostar dos meus defeitos, sendo que eu os odiava mais que tudo. Ele tinha-me. Espero que não o faça arrepender disso nunca.
Com isto tudo, 17 meses tinham passado a voar.
O Rafael e a Inês tinham acabado, nunca mais falei com ela, nem ele. O Bartolomeu e o Rui eram melhores amigos - pelo menos o Rui dizia que sim - E os meus pais estavam unidos e felizes. Eu estava realmente feliz por duas razões. Por a minha vida estar a correr bem de vez e o Joshua ter encontrado alguém com quem ficar, alguém que o merecesse e o fizesse feliz. Ele era o meu anjo e eu era a sua guarda.

4 anos depois ...


Os anos passaram, eu segui psicologia criminal e estudava agora um caso de um homicídio em cadeia. O Tiago não conseguiu obter média para Medicina por isso optou por Gestão e estávamos juntos.
Casei-me com ele aos 22 anos, contra meio mundo, mas casamos.
O casamento não foi uma cerimonia muito exagerada. Apenas as pessoas mais próximas a nós foram ao casamento. O Rafael tinha levado o seu namorado como par. - Mais tarde descobriu que gostava de homens e admitiu à nossa família. O meu pai ficou um pouco desiludido, mas aceitou. Era o homossexual mais macho que alguma vez tinha visto. O Rui foi muito bonito para o casamento, adorava aquele miúdo mais que tudo. Os meus pais dançaram imenso e divertiram-se. A Lua de Mel foi no Alasca. Como eu adorava aquilo. Do quarto do hotel viam-se ursos a andarem pelas ruas e, estranhamente, ninguém se assustava com isso. Fazia imenso frio mas não havia muita humidade. No último dia que lá passamos nevou imenso e tiramos montes de fotografias.

 5 anos depois ...

- Amor, vou sair de casa, vou ainda ao Café. Até logo. - Disse apressadamente pegando no casaco de malha e na mala castanha escura que estavam à porta. - Acorda as miúdas, vão chegar atrasadas !
- Dá-me um beijo - Veio a correr até mim e encostou os seus lábios aos meus sem olhar, já os conhecia de cor. - Vai lá vá - Sorriu a olhar para o jornal.
- Vai acordar as miúdas e larga o jornal, veste-te. Meu Deus, três crianças nesta casa. - Abri a porta da rua e o frio invadio a casa. Chovia torrencialmente.
- São gémeas, achas que se acordar uma, a outra também acorda? ahahah - riu-se. - Vai-te embora, eu levo-as a tempo da escola, não te preocupes.

Bati com a porta e abri o guarda-chuva. Dentro de casa ouvi o Tiago a dizer para acordarem e fui ao café. Comprei um cappuccino e deitei o talão fora. Dirigi-me ao metro e ao virar a sua esquina, choquei com um senhor bem aparentado. Com uma gabardina azul escura e uma cara extremamente bela.. Deixei cair o copo de cartão no chão entornando o café todo pelos meus sapatos cor-de-rosa claros.

- Desculpe. Desculpe ! - Disse o Senhor, esboçando um sorriso maravilhoso. - A sua cara não me é estranha. - Fiquei chocada, pois a voz do homem também não me era irreconhecível.
- Não faz mal ... - Ele interrompeu-me, pelo o que deu um salto com a sua exclamação.




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