29.1.17

First Love; Some Changes

O primeiro amor muda-nos.

Ás vezes gostava que tivéssemos sido o primeiro amor um do outro. Sem dores ou erros do passado. Viver tudo o que vivemos de forma duplamente intensa.
Mas por outro lado não trocava o nosso defeituoso amor por nenhum outro por mais perfeito que fosse e tu sabes o quão defeituoso ele foi, sabes quantas vezes quisemos desistir e quantas vezes quisemos insistir.
O primeiro amor é completamente avassalador, é um tiro no peito que não doí, mas faz estremecer. Cheio de erros mas parece sempre certo, coberto de sentimento e desprovido de qualquer racionalidade. É um grande amor.
Os outros amores são igualmente grandes, mas nós é que os tornamos grandes à nossa maneira, ao aprendermos com os primeiros erros, risos e dores.
Eu fui o teu primeiro amor, fui a bala que penetrou no teu peito e que ai ficou durante tanto tempo. Quanto mais profundo eu chegava mais tu sabias o quanto ia doer quando saísse e mesmo assim não desististe, é assim que é ou deve ser o nosso primeiro amor. É entregar o nosso eu mais frágil ao outro, desconhecendo completamente o que este pode fazer com ele e as consequências devastadoras que daí advém.
Claro que hoje há um buraco no teu peito, com certeza já o preencheste de alguma forma como eu um dia preenchi o meu de modo a puder te ter.
Depois da primeira bala, crescemos. Agora andamos com armaduras, o primeiro amor cria defesas.
Agora entendes a coragem que tive em voltar apaixonar-me. Agora quando alguém gosta de ti custa-te baixar as defesas, tirar o escudo e apaixonares-te de volta certo?
Eu entendo, eu fiz isso tudo por ti.

Nos outros amores também nos entregamos, sem dúvida alguma, mas sabemos para o que vamos, estamos "mais" prontos para as consequências, sejam elas quais forem.
A dor da segunda perda não supera a dor da primeira. A primeira é o som da bala, é o embater no peito, é o cair no chão, é o sangrar e não ter ninguém para estancar a ferida, é saber que há pessoas a ver-te cair e ninguém disposto a te levantar, apenas se aproxima alguém para te retirar a bala e esse alguém deixa-te ali, no chão, até as veias secarem e o coração parar. Todas as outras perdas se tornam menos significantes quando sofremos uma grande perda.
A primeira dor é inesquecível, fica tatuada no peito em forma de cicatriz. Um grande amor também não desaparece.

Mas o amor não é dor. O amor são sensações, movimentos, corpos, nervos, veias, artérias, céu, estrelas, mar, vento, cheiros, aromas, mapas, linhas, curvas e um conjunto infindável de outras coisas.
É o rir de coisas imbecis e no fim perceber que na realidade não estamos a rir delas, apenas estamos genuinamente felizes. É ficar mal por saber que se está bem e que isso não é usual. É sorrir mais, é dançar mais, é cantar mais. É gostar tanto que as saudades se tornam insuportáveis, é um adeus "quero ficar" é um beijo no canto da boca a descer para o pescoço. É fazer dois leites com café em vez de um só chá. É perder noites incontáveis a questionar o universo como tantas vezes já foi questionado. Mas desta vez são perguntas feitas de diferentes formas, não há formulas químicas ou física agregada, não há matemática ou lei de Newton, há apenas Amor, dois cientistas sem base alguma em ciências mas com bases em sentimentos. Para estes a lei de Newton é apenas a atracão de corpos, a sua iteração, a sua natureza física associada a força de vontade.

Diversas vezes durante a nossa relação questionei-me como seria se tu tivesses sido também o meu primeiro amor. Ai
nda hoje me questiono: estaríamos juntos ou nem teríamos começado? tudo teria sido melhor ou pior?

As pessoas mudam depois de um primeiro amor e uma primeira dor. E se nós nos pudéssemos amar uns aos outros como éramos antes de cada coração partido? Se pudéssemos trazer de volta todas as esperanças e inocências outrora perdidas? Se apenas nos entregássemos a quem nunca nos mudasse?

E tu? Sentes saudades da pessoa que eras antes de te apaixonares?

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